A popularidade generalizada da teoria de autor entre a cinefilia contemporânea tem vindo a levar a um progressivo esquecimento de que, na sua essência, o cinema é das artes mais intrinsecamente colaborativas que existem. Ao privilegiar de tal modo a figura do realizador, essa teoria tende a apagar as outras vozes criativas que contribuem para a edificação do objeto cinematográfico. Vendo um filme como “Ela” de Paul Verhoeven, por exemplo, há uma tendência a descartar as contribuições dos outros cineastas que não o realizador, mas, neste caso, é inequívoca blasfémia descartar a força autoral da sua atriz principal, Isabelle Huppert.
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Todos os elementos do filme trabalham em gloriosa simbiose nesta sequência, tão rica em casual virtuosismo como em prazer sensual. O som apoia-se em gestos de aglutinação e amorfia sónica, tanto mergulhando o espetador na batida da sua eclética seleção musical como destacando uma falta de claridade que rebenta em silêncio e sugere uma rendição onírica.
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Ver um dos filmes apocalípticos em todo o seu esplendor é mergulhar de cabeça nas águas de um cinema capaz de despertar emoções intensas, angústias e gritos primordiais nunca antes descobertos e afinal, haverá melhor tipo de cinema do que um capaz de ter um impacto assim no espetador?
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Quase desde os primórdios do cinema enquanto meio de expressão narrativa, que o passado histórico tem constituído um interesse comum a cineastas e audiências. Ora em histórias verídicas de eras ancestrais ou ficções situadas nesses períodos esquecidos, os filmes históricos depressa se vieram a afirmar como um género de considerável importância.
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O filme, mais do que muitas outras obras do cinema italiano dessa altura, Os Monstros é um documento histórico que nos ilustra o que uma sociedade via em si mesma, que nos mostra no que uma sociedade conseguia achar humor apesar da sua natureza venenosa e o que uma sociedade entendia como sátira relevante.
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A Ultrapassagem de Dino Risi é um dos filmes mais emblemáticos da commedia all'italiana. Risi, como o próprio diálogo do filme sublinha num cómico piscar de olho à audiência, não é Antonioni, e o seu interesse não é alienar a sua audiência. Assim, esta mortiça visão romana é um necessário agente de contraste que nos permite apreciar os verdadeiros focos desta sequência e, na verdade, de todo o filme: movimento e ritmo.
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