Os filmes mais esperados de Cannes
Estende-se o tapete vermelho. A ilustríssima 70ª edição do Festival de Cannes que terá lugar do próximo dia 17 até 28 de maio apresenta uma programação de luxo. Nomes esperados como os de Andrey Zvyagintsev, Lynne Ramsay, Michael Haneke, Hong Sang-soo (com dupla presença), Sofia Coppola, Bong joon-ho, Yorgos Lanthimos, Anraud Despelchin (no filme de abertura), David Lynch (com os primeiros dois capítulos de “Twin Peaks”) Todd Haynes ou os irmãos Safdie, mas também alguns mais improváveis como Alejandro G. Iñárritu (com “Realidade Virtual”) e Kristen Stewart (como realizadora e em evento especial). A partir de quarta-feira, vamos contar-vos em primeira mão tudo o que acontece na Croisette.
Por agora deixamos os nossos 25 favoritos.
A FÁBRICA DE NADA, Pedro Pinho
Quinzeanne des Réalisateurs
Pedro Pinho estreia-se com a primeira longa de ficção na conceituada Croisette. Um filme coletivo, construído em conjunto com Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, a partir de uma ideia de Jorge Silva Melo e da peça de teatro de Judith Herzberg “A Fábrica de Nada”, encenada pelo próprio Jorge Silva Melo numa produção dos Artistas Unidos.
Interpretado por atores não profissionais, o filme explora a solução de auto-gestão coletiva depois da ameaça do fecho de uma fábrica. Uma linha narrativa complexa, com várias camadas de leitura que dão uma enorme profundidade ao filme e espelham a realidade da crise que ainda pesa sobre a Europa.

Em FILMIN podes ver: Um Fim do Mundo e As Cidades e as Trocas
HAPPY END de Michael Haneke
Secção Oficial
Isabelle Huppert volta a colocar-se sob as ordens de Michael Haneke. “É um filme completamente diferente daquilo que fiz, por exemplo, em “A Pianista”. E com certeza também muito diferente de “Amor”. É um filme coral, com um grande número de personagens. Michael define-o como uma imagem congelada. É um retrato de família e tudo o que isso implica. Uma visão muito ligeira de uma família, sem psicologia, só com feitos. O objetivo é que qualquer pessoa que o veja possa criar o seu próprio filme”. Ámen. Falta só acrescentar que o guião de “Happy End”, obra do próprio realizador, centra-se na vida de uma família burguesa do norte de França assaltada por uma série de feitos insossos, que não presta muito atenção à miséria instalada nos campos de migrantes situados a poucos quilómetros da sua casa. Jean-Luis Trintignant, Mathieu Kassovitz, Fantine Harduin, Franz Rogowski, e, atenção, o britânico Toby Jones completam o elenco.
Em FILMIN podes ver: A Pianista

THE FLORIDA PROJECT de Sean Baker
Quinzeane des Realisateurs
William Dafoe e as origens da Disneyworld sob o comando de um dos realizadores indie mais autênticos e insubordináveis do momento que dispõe (finalmente!) de um merecido e generoso orçamento. Dito de outra forma, falamos do próximo filme do realizador de “Tangerine”. De filmagens com três iPhones, Sean Baker passa agora para o 35mm com direção de fotografia do habitual colaborador de Carlos Reygadas, Alexis Zabe (“Post Tenebras Lux”). Antevê-se uma obra superior.

THE SQUARE de Ruben Östlund
Seleção Oficial
“Quero fazer luz sobre a quebra de confiança que se está a instaurar, lenta mas inexoravelmente, entre as pessoas, agora que a sociedade está cada vez mais individualista e os ideais elevados são sacrificados, usando a cena artística internacional como fundo contemporâneo”. O diretor sueco que ganhou Un Certain Régard em 2014 com a sua excecionalmente aguda obra “Força Maior”, compete pela primeira vez na Secção Oficial do Festival de Cannes, com o seu quarto filme. “The Square”, apresenta-se como um emotivo drama satírico que reflete o nosso tempo. Um filme sobre o sentido de comunidade, de coragem moral e sobre a grande necessidade de egocentrismo das pessoas num mundo cada vez mais incerto. “É emocionante ter uma ante-estreia no Théâtre Lumière, com um público vestido a rigor; há cenas que foram rodadas especialmente para este tipo de projeção... Não vou dizer mais, espero que percebam”. Estas palavras bastam para considerar esta obra num dos filmes mais esperados do festival. Nada mais a acrescentar, ou talvez sim. “The Square” passa-se num museu de arte moderna, inspirado numa instalação com esse nome, que ele mesmo fez para a sua primeira exposição, “High Art, High Concept”.
Em FILMIN podes ver: Força Maior

WONDERSTRUCK de Todd Haynes
Secção Oficial
Do realizador de “Carol”, adaptado de uma novela de Brian Selznick, o mesmo autor que inspirou “A Invenção de Hugo” de Martin Scorcese. “Wonderstruck” narra duas histórias entrelaçadas: uma ambientada em 1977 e contada com palavras sobre um rapaz que anseia pelo pai que nunca conheceu, e a outra, contada com imagens a preto e branco e ambientada meio século antes, sobre uma rapariga que sonha com uma misteriosa atriz. Todd Haynes volta a contar com Julianne Moore, e desta vez também com Michelle Williams.
Um filme de génio para duas divas. Sublime.

LOVELESS de Andrey Zvyagintsev
Secção Oficial
O seu anterior filme “Leviatã” brindou-nos com tudo aquilo que era esperado pelos seguidores acérrimos da sua obra. O olhar de Andrey Zvyagintsev é tão esplendoroso como imponente, é um olhar que engloba todos e cada um dos referentes que dotaram a sua imprescindível obra de uma identidade própria. O seu cinema é reminiscente de Tarkovski, Eisenstein e Vertov, cuja impoluta formalidade se mistura com a contida agressividade de contemporâneos como Sergei Loznitsa ou do malogrado Aleksey Balabanov. E é precisamente no seu anterior e elegíaco filme que encontramos essa dissecação da traumática relação pai-filho sobre a qual girava “O Regresso”, assim como o retorcido triângulo amoroso que desatava o conflito em “The Banishment”, ou o inevitável controlo social do poder sobre o qual incidia “Elena”. Todos dramas morais, todos igualmente ambíguos. Porque o seu cinema não dá lições de conduta clara, mas presta-se a confusões e à decrépita autenticidade da vida real: onde não existem heróis nem vilões. Foi o caso das suas quatro obras anteriores, e provavelmente será também o caso de “Loveless”, sobre a história de um casal em pleno processo de divórcio que tem de se unir para encontrar o filho, desaparecido depois de uma das recorrentes discussões do casal.

GOOD TIME de Benny Safdie & Josh Safdie
Secção Oficial
Aviso aos navegantes, em “Good Times” os irmãos Safdie exploram “Grindhouse” ou até o “Neo-Grindhouse”. Nascidos e criados em Nova Iorque, entre Queens e Manhattan, Josh e Benny Safdie filmam desde que o pai lhes ofereceu uma câmara Hi-8, e em 2001 fundaram, com alguns amigos, o coletivo Red Bucket Films, dedicado a captar momentos da vida quotidiana nova-iorquina através de meios mais ortodoxos. Dois fatores necessários para compreender na totalidade, tanto a forma como o fundo deste pequeno grande tesouro, é o filme anterior “Heaven KNows What”. No entanto, não será o caso deste filme, pelo menos em teoria. Robert Pattinson encarna a pele de um ladrão de bancos e tenta fugir à medida que o cerco se aperta.

El FILMIN podes ver: Vão Buscar-me Alecrim
UN BEAU SOLEIL INTÉRIEUR de Claire Denis
Filme de Abertura da Quinzeanne des Realisateurs
Em meados de 2015, foi anunciado que a cineasta francesa Claire Denis preparava o seu debute em língua inglesa com “High Life”, um ambicioso drama de ficção científica protagonizado por Robert Pattinson que contaria com a participação do artista dinamarquês Olafur Eliasson, o astrofísico francês Aurélien Barrau e Stuart Staples (dos Tindersticks). Com a rodagem ainda em espera e a estreia prevista apenas para 2018, a realizadora francesa decidiu avançar com outro projeto de orçamento bem menor, mas igualmente atrativo. Juliette Binoche, Gérard Depardieu, Valeria Bruni Tedeschi e Xavier Beauvois protagonizam “Un beau soleil intérieur”, cujo guião é uma adaptação de “Fragmentos de um discurso amoroso” do filósofo francês Roland Barthes que desconstrói a linguagem do amor. Amantes de “Vendredi Soir”, estão de parabéns!

THE KILLING OF A SACRED DEER deYorgos Lanthimos
Secção Oficial
“Senti náuseas depois de ler o guião”. Disse Colin Farrell sobre o novo filme de Yorgos Lanthimos, “The Killing of a Sacred Deer”, um thriller psicológico com elementos sobrenaturais que o incendiário realizador grego co-escreveu com Efthimis Filipou (“Chevalier”) e que será pautado por três histórias que se misturam, três pessoas que cruzam os próprios caminhos: um jovem com sede de vingança, um médico que tem de tomar uma decisão importante, e a sua família que tem de lutar pela sobrevivência. E não, não podiam vendê-lo melhor.

WIND RIVER de Taylor Sheridan
Un Certain Regard
Foi uma das grandes sensações do recente Festival de Sundance. Se a isso juntarmos o facto de esta ser a primeira obra de Taylor Sheridan, este filme merece toda a nossa atenção. Estamos a falar de um dos protagonistas de “Sons of Anarchy”, mas antes de mais, guionista de “Sicario” e “Hell or High Water”. Protagonizada por Jeremy Renner e Elizabeth Olsen, “Wind River” gira em torno a um caçador de coiotes traumatizado pela morte da filha, que um dia encontra o cadáver de uma rapariga no meio do bosque, o que o leva a recorrer à ajuda de uma inexperiente agente da FBI para investigar o assassínio. Esperamos uma bela e apaixonante história criminal.

HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES de John Cameron Mitchell
Secção Oficial Fora de Competição
Outro realizador admirado por Filmin. Autor de “Hedwig and the Angry Inch” e “Shortbus”, assim como produtor da comovedora “Tarnation” de Jonathan Caouette, John Cameron Mitchell percorreu no seu último filme o drama douglassirjiano com “Rabbit Hole”, a adaptação de uma obra vencedora do Prémio Pullitzer, protagonizada por Nicole Kidman e Aaron Eckhart. Estamos a falar de um ícone do cinema LGBT, a caminho entre Gregg Araki e Todd Haynes, que agora realizou uma comédia romântica musical com sugestivo título “How to talk to girls at parties”. Protagonizada por Ruth Wilson, Elle Fanning, e Nicole Kidman, o seu louco ponto de partida vai levar-nos a um alien, que ao deambular pela galáxia se depara com jovens habitantes do lugar mais perigoso de todo o universo: o subúrbio londrino de Croydon. Será que as raparigas do planeta Terra são fáceis?

THE DAY AFTER / CLAIRE’S CAMERA de Hong sang-soo
Secção Oficial
O filme que marca a segunda colaboração entre o maestro coreano e Isabelle Huppert depois de “In Another Country”, foi filmado durante a passada edição do Festival de Cannes nos arredores do festival. Não precisamos de saber mais nada. Ou talvez sim, porque à esperada incursão de “Claire’s Camera” fora de competição acompanha-a “The After Day” na luta pela Palma de Ouro, dando assim continuidade a “On the Beach at Night Alone”, o que se apresenta como o retrato auto-biográfico mais imediato da vida íntima do realizador sul-coreano que o levou a estar sentimentalmente unido à sua atriz protagonista Kim Min-hee na vida real até ao dia de hoje, e que lhe valeu o Prémio de Melhor Atriz na última edição da Berlinale. Este é um feito só ao alcance do maestro Hong. Filmado a preto e branco (tanto o título como o formato remetem-nos para o seu anterior “The Day He Arrives”) e novamente pela mão da sua musa e companheira, Kim Min-hee, “The After Day” centra-se em Aerum, que vive o seu primeiro dia de trabalho numa pequena editora cujo chefe terminou recentemente uma relação com a mulher que anteriormente ocupava o seu cargo. A confusão apresenta-se.

A GENTLE CREATURE de Sergei Loznitsa
Seleção Oficial
O realizador documentarista ucraniano Sergei Loznitsa surpreendeu gregos e troianos em 2010 quando apresentou na Croisette a aterradora, complexa e misteriosa ficção “My Joy”, uma crítica feroz aos países do leste marcados pela violência e os princípios mais cruéis da sobrevivência, dando espaço a uma das propostas mais sugestivas do festival. O mesmo poderíamos dizer de “No Nevoeiro”, segundo filme de ficção com o qual, dois anos depois, repetiu o mesmo impacto e a mesma precisão contando uma tragédia que se desenrola durante a II Guerra Mundial. Baseada na novela do escritor bielorusso Vassily Bykov fala-nos de um homem que tenta tomar uma decisão moral em circunstâncias imorais. Pois bem, no caso de “A Gentle Creature”, Sergei Loznitsa apodera-se de um conto de Feodor Dostoyevski (Uma criatura gentil, 1876) para nos relatar a história de uma mulher que viaja até uma prisão numa região remota para averiguar o que aconteceu ao seu marido depois de um pacote que lhe tinha enviado, ter sido devolvido sem explicação.
Em FILMIN podes ver: O Milagre de Santo António, O Cerco de Leninegrado, No Nevoeiro e A Praça.

THE BEGUILED de Sofia Coppola
Secção Oficial
Sofia Coppola assina o remake do clássico de 1971 “The Beguiled”. Baseada na novela “Southern Gothic” do escritor Thomas P. Cullinan, este romance ambientado na era da guerra civil americana foi adaptado para o grande ecrã pela primeira vez em 1971 com Clint Eastwood e Geraldine Page como protagonistas. O filme narra a história de um recatado soldado yankee por uma jovem estudante do Seminário para Raparigas de Miss Martha Farnsworth, em Virginia, no ano de 1864. Kirsten Dunst, Colin Farrell, Nicole Kidman e Elle Fanning lideram um elenco estelar. E sim, tudo indica que “The Beguiled” fica entre “Maria Antonieta” e “As Virgens Suicidas”

L’AMANT D’UN JOUR de Philippe Garrel
Quinzeane des Realisateurs
O ano passado, Philippe Garrel inaugurava a Quinzeane des Realisateurs com o maravilhoso “L’ombre des femmes”, uma espécie de cruzamento entre o génio de Woody Allen e o magistral Hong Sang-soo que foi escrito por Garrel em colaboração, como acontece neste novo filme, com Jean-Claude Carrière, Caroline Deruas e Arlette Langmann. Protagonizada por Eric Caravaca e Esther Garrel, “L’amant d’un jour” conta a história de um pai e da sua filha de 23 anos que regressa a casa depois de uma ruptura sentimental, e a nova esposa do pai, que tem também 23 anos e vive com ele. Um filme prometedor.

Em FILMIN podes ver: Ciúme
YOU WERE NEVER REALLY HERE de Lynne Ramsay
SECÇÃO OFICIAL - Competição
Depois do trauma da rodagem inacabada de “A Vingança de Jane”, a responsável de “We Need to Talk About Kevin” apodera-se de outra novela, desta vez de Jonathan Ames, que relata a história de um atormentado veterano de guerra que trabalha agora a regatar mulheres vítimas do tráfico sexual, e sobre o qual recai uma tormenta de violência e corrupção. O protagonista eleito não é ninguém menos que Joaquin Phoenix.

L’AMANT DOUBLE de François Ozon
SECÇÃO OFICIAL – Competição
O prolífico François Ozon volta à ribalta e fá-lo com Jérémie Renier e Marine Vacth no seu 17º filme, cujo guião gira em torno de Chloé, uma jovem frágil e depressiva que começa a fazer terapia e se apaixona por Paul, o seu psicólogo. Uma relação tumultuosa na qual a erosão de identidades que marca a sua última obra vai voltar a apoderar-se do ecrã. E, de acordo com as advertências, com uma clara essência hitchcockiana.
Em FILMIN podes ver: Minha Rica Mulherzinha

ALIVE IN FRANCE de Abel Ferrara
Abel Ferrara igual a si próprio. “Alive in France” não podia soar melhor, mais ainda se tivermos em conta que este novo documentário se centra numa série de concertos e uma retrospetiva fílmica dedicada às canções e à música que habita o cinema do realizador. Os momentos íntimos, tal como as preparações prévias com os seus familiares e amigos, prometem mostrar-nos o lado mais pessoal e desconhecido de um dos realizadores mais controversos, imprevisíveis e estimulantes do momento. E ao vivo!

Em FILMIN podes ver: 4:44 Último Dia na Terra
BARBARA de Mathieu Amalric
Filme de Abertura Un Certain Régard
Depois de realizar e contruir com surpreendente poder o revelador “La Chambre Bleue”, um impressionista thriller erótico cuja trama não linear se constrói com base em fragmentos, Mathieu Amalric parece ter alcançado agora a maturidade como cineasta. Com “Barbara”, o carismático ator francês volta à poltrona de realizador com uma produção que vai girar em torno da célebre cantora francesa Barbara (1930-1997), mas não se trata de um típico biopic, já que o guião (escrito pelo realizador Philippe Di Folco) narra a história de um realizador que quer fazer um filme sobre Barbara, estes papéis são interpretados pelo próprio Amalric e Jeanne Balibar. Um jogo de máscaras!

FROST de Sharunas Bartas
Quinzaine de Realisateurs
Depois de aparentemente ter resolvido os seus conflitos pessoais, dando por sua vez oportunidade à sua filha como atriz (com Katia Golubeva) nessa lição de vida que “Peace to Us in Our Dreams” pressupõe, Sharunas Bartas volta a competir na Quinzeanne des Realisateurs com um drama político contemporâneo que conta com um elenco internacional (além dos atores lituanos Mantas Janciauskas e Lyja Maknaviciute, o ator polaco Andrzej Chyra e Vanessa Paradis no papel da repórter francesa, também fazem parte do elenco do filme), protagonizado por um jovem lituano e dois jornalistas que se verão forçados a superar os seus limites psicológicos e forjar uma estreita relação no meio do caos da guerra. Adeus às armas.

JEANNETTE, L’ENFANCE DE JEANNE D’ARC de Bruno Dumont
Quinzaine de Realisateurs
Com o transbordante e desamparado “Ma Loute”, Bruno Dumont volta a explorar os recantos mais profundos e obscuros da alma humana, desta vez através de um registo cómico mais excêntrico e extremo, em homenagem ao slapstick do cinema mudo, e ao mais audaz humor absurdo. Pois bem, esperamos que siga o mesmo caminho levar ao grande ecrã a infância de Joana d’Arc e ainda para mais, com registo musical. Vamos dançar?

NAPALM de Claude Lanzmann
Projeções especiais
Ultimamente, fala-se muito das macabras extravagâncias do regime norte-coreano. Mas além da arrepiante mise-en-scène, orquestrada por uma família que entendeu na perfeição as debilidades da condição humana, existe uma Coreia do Norte que não estamos acostumados a ver, uma que tanto os próprios líderes do regime como o Ocidente se empenham em ocultar. Uma população subjugada à propaganda que vive isolada desde 1953, e que também anseia reunir-se com aqueles que em tempos fizeram parte dela. E sobre isto se debruça o maestro Claude Lanzmann, e tem muito a dizer. “Napalm” é a narração do abalador “breve encontro” em 1958 entre um membro francês da delegação da Europa Ocidental convidado à Coreia do Norte depois da devastadora Guerra da Coreia, e uma enfermeira do hospital da Cruz Vermelha coreana em Pyongyang, a capital da República Democrática Popular da Coreia. Claude Lanzmann regressou à Coreia do Norte sem autorização para filmar, e cada plano representa uma extraordinária vitória sobre o permanente controlo da polícia política do regime, que nunca chegou a descobrir as verdadeiras intenções do regresso do realizador à península. Vai fazer tremer Kim Jong-Un.
Em FILMIN podes ver: Shoah, O Último dos Injustos e SOBIBOR, 14 de Outubro 1943, 16 horas

THERAN TABOO de Ali Soozandeh
Semain de la Critique
O ambicioso debute em longa-metragem do cineasta alemão-iraniano Ali Soozandeh combina alguns dispositivos estilísticos inovadores da animação e das novelas gráficas. Inteiramente filmado num estúdio em Viena com atores reais e partindo da técnica rotoscópica, este filme apresenta-nos um drama social protagonizado por personagens de animação que observam de perto o outro lado da cortina moral da teocracia iraniana. CGI, com sede em Colónia, e o estúdio de animaçãoo Pixeltruck, desenvolveram novas técnicas de animação para o filme, com a finalidade de combinar atores reais e animados com animação 3D e desenhos feitos à mão. Há vida além da Pixar.

LES FANTOMES D’ISMAEL de Arnaud Desplechin
Filme de Abertura
A nona longa-metragem de Arnaud Desplechin centra-se em Ismael, um cineasta que realiza um filme cuja personagem principal é um diplomático atípico, inspirado no seu irmão. Mathieu Amalric, Charlotte Gainsbourg, Marion Cottilard e Louis Garrel formam o elenco do filme responsável pela inauguração desta 70ª edição do Festival de Cannes. Confiando na boa forma na qual o realizador francês demonstrou estar com o seu anterior e maravilhoso filme “Três Recordações da Minha Juventude”, esperamos o melhor.

TWIN PEAKS de David Lynch
Eventos Especiais
O momento televisivo mais esperado do ano terá o seu sneak peak no Festival de Cannes. Lynch volta à Croisette depois em tempos ter sido vaiado com “Twin Peaks: O Fogo Caminha Comigo”. Mas o tempo pôs tudo no seu lugar, e agora entra pela porta principal com a conclusão de uma das obras mais influentes da televisão moderna, aquela que cimentou o caminho para a época dourada que vivemos hoje em dia. E já advertiu que, a pista que todos andamos à procura está, precisamente, no fogo.
