“Akira” não gira apenas em torno de indivíduos que descobrem ser detentores de poderes sobre-humanos numa narrativa de ficção científica futurista marcada pela violência, centra-se na ordem existencial, no capitalismo, na corrupção do poder político, na religião, na tecnologia e na amizade, com um olhar crítico sobre a alienação da juventude e a ineficiência governamental, indiferente para com o perigo que o poder de Tetsuo representa.
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Oppenheimer trabalha há mais de uma década com milícias, esquadrões da morte e as suas vítimas, para explorar a relação entre a violência política e o imaginário da sociedade.Estes criminosos nunca foram julgados e condenados, pelo contrário, foram elevados a heróis pela ditadura, e enriquecidos com recompensas. Hoje, vivem lado a lado com as famílias das vítimas e ainda alguns ocupam lugares de poderio. Persiste nas pessoas o medo e o trauma.
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Xavier Dolan apresenta-se como um cineasta prematuro, mas com uma metodologia meticulosa de fazer cinema. Como uma peça de teatro, Dolan explora a profundidade cénica e a relação câmera-personagem. A música conquista também o seu lugar nas obras, com variações intensas de géneros, sensações e sentimentos. A diferença e o preconceito incomodam Dolan, e isso mostra-se na sua obra, que navega pelos vícios da sociedade.
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Uma comédia descrita como ‘delicada’, “Ramiro” é um filme sobre uma Lisboa recôndita e antiga, à qual Mozos filma com a mesma abordagem de obras anteriores: a câmara é o baú onde se guardaram as memórias fotográficas. Pode ser assim, o cinema: um documento histórico. Ele expressa um contexto histórico, social, político, etc., através da imagem, em segundos, minutos e horas, e consequentemente apontar para o problema da temporalidade.
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O cinema de Salaviza tem voz própria, uma voz que relata a adolescência, os corpos em transformação – um corpo que se encontra suspenso entre o fim da infância e o início da idade adulta – e os becos sem saída. As suas obras respiram as formas do classicismo, de filmes como “Os Verdes Anos” e “O Sangue”, e também reminiscências do cinema mudo.
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