Encontramos em Paterson uma mistura de géneros que cruza o drama romântico, a comédia dramática e o filme-ensaio, como se Jarmusch tivesse pretendido despir a narrativa de um glamour que não seria difícil de encontrar (basta pensar no seu trabalho anterior, Only Lovers Left Alive) para frisar o seu carácter prosaico e depois lhe devolver a beleza – e a poesia.
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À primeira vista, a premissa poderia sugerir o domínio do sobrenatural ou uma abordagem psicanalítica, mas a simplicidade da história e a natureza das personagens afastam qualquer inverosimilhança.
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O primeiro filme em território americano do chileno Pablo Larraín exibe Jackie Kennedy no seu grande momento de dor e fraqueza: os dias que se seguem ao assassinato do marido. É um retrato (im)possível que pretende transpor a esfera pública para entrar na esfera íntima e examinar a solidão daquela mulher, num processo de luto simultaneamente privado e público, destroçada e sozinha no centro de um mundo que sustém a respiração enquanto a observa nos mais ínfimos movimentos. Sobretudo, é um filme para Natalie Portman, desenhado para fazer brilhar a sua beleza e talento.
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