DOUBLE BILL FILMIN #5

Autor: Nuno Oliveira Fonte: Cinema Sétima Arte

DOUBLE BILL FILMIN #5

Double Bill Filmin é uma rubrica quinzenal inspirada no fenómeno da indústria cinematográfica em que as salas de cinema exibiam dois filmes pelo preço de um. Double Bill dá a conhecer dois filmes a ver na plataforma de streaming Filmin. Dois Filmes, uma Filmin.

O quinto episódio do Double Bill Filmin sugere os seguintes filmes:

Paterson (2016)

Este é um daqueles filmes que se entranha facilmente em qualquer cinéfilo, apesar de não ser um grande feito cinematográfico. O que Paterson possui, no entanto, é um charme que é habitual nos filmes de Jim Jarmusch, um pouco como o que se pode sentir em “Broken Flowers – Flores Partidas”: aquele momento em que todas as peças encaixam e que culminam num todo que transcende largamente as suas partes. “Paterson” é jazz em imagem. É a homenagem do seu realizador aos momentos mais mundanos da nossa existência que acabem por se ampliar infinitamente, é um mundo de opostos que encontram harmonia na sua própria dualidade e, acima de tudo, é um belíssimo tributo aos poetas imagistas, em particular a William Carlos Williams.

Shoplifters – uma Família de Pequenos Ladrões (2018)

O cinema de Hirokazu Koreeda não é meramente um estudo das relações familiares que habitam os seus filmes, é também um espelho de um Japão fragmentado, de um Japão de dualidades. “Shoplifters” põe em causa os paradigmas ocidentais de um país regido por uma cultura rígida, por valores nobres, mas inflexíveis ao apresentar uma família atípica no cenário urbano nipónico. Nela, os laços que a unem são tecidos por uma cumplicidade encontrada no furto de mercearias e afins e na ilusão de uma unidade familiar estruturada. Um pai, uma mãe, uma avó e os filhos são os elementos paradigmáticos de família que aqui encontramos, embora todos sem qualquer relação de parentesco. Numa sociedade altamente hierarquizada como a japonesa, não só este modelo familiar é surreal, como desconstrói o próprio fabrico das ideias habituais sobre aquilo que nos une: o sangue ou a cumplicidade?

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