HEAVY TRIP – UMA COMÉDIA DA PESADA

Autor: Claudio Azevedo Fonte: Cinema 7ª Arte

HEAVY TRIP – UMA COMÉDIA DA PESADA

A dupla estreante Juuso Laatio e Jukka Vidgren está presente na selecção de filmes do festival de cinema online “Atlàntida Film Fest” da plataforma FILMIN com o filme “Heavy Trip”.

O resultado desta correalização é uma comédia que não se recomenda aos ouvidos mais sensíveis, pois talvez estejamos perante um filme de culto, cuja recepção será muito influenciada pelo género musical retratado. O heavy metal exige um ouvido raro e robusto, capaz de receber um som vigoroso, feito com guitarras intensamente distorcidas e gritos guturais vindos de algum lugar recôndito do corpo.

A história centra-se na banda de Turo (Johannes Holopainen), a Impaled Rektum, composta por três amigos: Lotvonen, o guitarrista shredder; Pasi, o baixista com conhecimento enciclopédico sobre todas as bandas da pesada e Jynkky, um baterista enérgico, movido a chocolates.

A cave de Lotvonen é o local dos ensaios, que fica algures por baixo do matadouro de renas dos seus pais. Quando Frank Messegrav, o promotor do Northern Damnation, um dos mais famosos festivais de heavy metal, passa por lá para comprar sangue de rena, a trama complica-se. Apesar da visita desastrosa, Frank leva consigo uma demo da banda.

Turo, como qualquer bom vocalista, é a personagem central do filme. Entre os ensaios da banda, o trabalho num lar de idosos e as visitas à florista para tentar convencer Mia a sair com ele, apesar da sua timidez crónica, o calcanhar de Aquiles de qualquer metaleiro, para além do cabelo. vamos tendo uma percepção do mundo isolado e pacato onde estas personagens habitam. Assemelha-se um pouco ao típico subúrbio americano “lynchiano”. Os seus passeios de bicicleta dão-nos acesso à paisagem rural que o circunda, onde passa despercebido até ao dia em que os habitantes acreditam que a sua banda irá actuar na Noruega.

O filme não nos dá muita matéria de reflexão, pois não é, nem pretende ser, um filme reflexivo.  No entanto, não se pode dizer que o argumento seja tão cru como a letra de uma qualquer canção de black metal. O filme dá aso a algumas gargalhadas através de situações hilariantes como a descoberta do riff para uma nova música através do som de uma máquina trituradora de renas; uma fotografia de banda que é tirada através de um radar na berma de estrada; uma viagem num langskip remado por cosplayers vestidos de viquingues ou até mesmo um concerto onde o público faz crowdsurf com um caixão.

No final de contas, não podemos exigir mais do que um espírito animado pelos risos suscitados por estas peripécias. Podemos não sair do filme com o intelecto activo, mas com certeza saímos com aquela boa sensação de querer partilhar tudo com alguém só para nos podermos rir mais uma vez, particularmente se gostarmos de música da pesada.

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