Verão Danado

Verão Danado

Áudio e legendas

Versão Portuguesa

realização

Pedro Cabeleira

Nacionalidade

Portugal

Ano de produção

2017

Género

Drama

Sobre o filme

Estamos no princípio do Verão e Chico acabou a faculdade. Sem grandes perspectivas e com as férias por diante, começam as brincadeiras, os jantares, as festas e as noitadas. A música acompanha Chico nestas tardes de ócio, drogas, desilusões amorosas e momentos psicadélicos. Verão Danado é um ímpeto de adrenalina com Lisboa como pano de fundo de uma juventude à deriva. Uma primeira obra surpreendente que conquistou a Menção do Júri do Festival de Locarno. 

M16

Realização e elenco

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  • Cláudio Azevedo

    de Cinema Sétima Arte

    O brilhantismo do filme está na forma como o realizador inverte este aparente sentido moral, do retrato de uma juventude sem norte e, através da sua estética visual particular, repleta de psicadelismo, cria uma roupagem que dignifica estes corpos, que se tornam matéria sensível para uma experiência visual e sonora.

    9.0 9.0
  • André Gonçalves

    de C7nema

    "Verão Danado" fala para o espectador, e deve constituir uma das provas essenciais dos últimos anos aos críticos dessa instituição chamada Cinema Português, que tanto se queixa de obras viradas, ou totalmente para o umbigo, ou totalmente para a caixa registadora. É um filme assumidamente mais artístico que comercial, sim, mas bem mais equilibrado do que o desequilíbrio que nos provoca.

    9.0 9.0
  • André Almeida Santos

    de O observador

    E é o mais autêntico possível. E também é o retrato mais autêntico possível de uma juventude. Pela forma como se diverte e como isso se manifesta na sua vivência. Pessoas com medo de se divertirem irão acusar “Verão Danado” de muito hedonismo, ou pior, de que são uma cambada de preguiçosos que só querem beber, drogar e fornicar. É um erro ir por aí. O filme não é sobre isso, é precisamente sobre o dia-a-dia, sobre viver, sem que existam barreiras sociais ou as construções típicas europeias/ocidentais de quando se fala da juventude, de uma geração ou de um grupo específico de pessoas: a escola, o trabalho, o futuro. Do que se fala aqui então? Celebra-se a vida a partir das coisas mais banais, abraça-se o prazer porque ele é finito: daí a ação também estar concentrada num verão, ele acaba. A dado momento o protagonista, Chico (Pedro Marujo), encontra-se com Quarta-Feira (Gonçalo Robalo) e diz-lhe que está a caminho de uma entrevista de emprego. Noutra década, este teria sido o momento em que Chico encontra o seu caminho e “Verão Danado” tornar-se-ia um filme em volta de um jovem à procura de emprego e do seu futuro. Cabeleira faz quase o oposto: deixa o seu filme prosseguir. E sem virar o volante, faz com que a narrativa também dê a volta na cabeça do espectador e que a vida – e a sua celebração – prossiga, tanto na tela, como no domínio do real.

    8.5 8.5
  • Inês N. Lourenço

    de Diário de Notícias

    Este é um filme português que surge na paisagem como uma nave alienígena. Não se parece com nada e sugere a revelação de um jovem cineasta: Pedro Cabeleira. Começa por insinuar uma linha narrativa, através da personagem de Chico (Pedro Marujo) - que terminou a faculdade e deve procurar emprego -, mas é o seu torpor estival lisboeta que se vai oferecer ao grande ecrã como matéria condensada. Em Verão Danado, a noite, filmada como uma crónica da juventude ardente, é a substância visual que nos arrasta para dentro de um vazio latejante. E não nos tira dele enquanto não tivermos atingido algo, sensorialmente, do estado daquelas personagens perdidas, drogadas e entregues à música. São corpos entre variações de luz, que se recusam a ser tema: são vida. Há uma coragem assinalável nesta primeira obra que não pode nem vai passar despercebida.

    7.5 7.5
  • Luís Miguel oliveira

    de Ípsilon - Público

    Verão Danado é a longa-metragem de estreia de Pedro Cabeleira, realizador acabado de sair da escola de cinema. Mais do que um filme de juventude — o olhar é bastante amadurecido — é um filme da juventude, da juventude urbana ou da juventude a descobrir os prazeres perigosos de uma cidade, Lisboa. Em “mosaico”, com dezenas de personagens que entram e saem, aparecem, desaparecem e voltam a aparecer, Verão Danado casa um realismo muito imediato e muito autêntico com longas cenas em transe: as festas, escuras e repetitivas, sob a influências de substâncias várias e marcadas pelos ritmos — pam pam pam — da electrónica. Não tem nenhuma lição de moral a propor, mas também não tem nenhuma celebração especial a fazer: fica ali, a arrastar o espectador para um vórtice onde “perdição” e “salvação” mal se distinguem, onde a juventude, o ter-se 20 anos, é uma coisa em suspensão. A idade adulta pode esperar — e toda a ambiguidade desta asserção como que resume o espírito do Verão Danado.

    7.0 7.0