Fugiu um condenado à Morte
Fugiu um condenado à Morte

Fugiu um condenado à Morte

Un condamné à mort s'est échappé

Áudio e legendas

Versão original com legendas em português

  • Áudio Original
  • Legendas Português
realização

Robert Bresson

Nacionalidade

França

Ano de produção

1956

Sobre o filme

"A quarta longa-metragem de Robert Bresson baseia-se na evasão de um homem, em 1943, de um forte de onde teoricamente qualquer fuga era impossível. Bresson aplica de modo ainda mais estrito os austeros princípios de realização: despojamento da imagem, escolha de atores não profissionais, cenários reduzidos, ausência de música de cinema, oposição entre monólogo e diálogo. Um extraordinário filme sobre a coragem, que também é um filme sobre a ideia de que "tudo é Graça". Cinemateca Portuguesa.

Realização e elenco

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  • Luís Mendonça

    de À Pala de Walsh

    “Bresson é o cinema francês, como Dostoievsky é o romance russo e Mozart é a música alemã”. As palavras são de Jean-Luc Godard, no seu «Dicionário dos Realizadores Franceses», editado nos Cahiers du cinéma em 1957. Ora, se é ou não é sinónimo de todo o cinema francês, uma coisa é certa: não há economia como a de Robert Bresson. E de todos os seus filmes parece-me que mais nenhum leva tão longe o essencial de uma linguagem. Reduzido ao osso, feito de pedra e de puro toque – de mãos, as do fugitivo, em primeiro lugar -, este filme é um exercício sobre o escape, mas para onde escapa ele senão no sentido de uma pureza das formas? O cinema reduzido à matéria bruta do mundo: a mão, os pés, a cela… em cada célula deste organismo – desta prisão matérica que é o filme – ensaia-se, cronometriza-se, a salvação que, qual spoiler do século, se anuncia logo no título. O prisioneiro fugirá! Que ousadia, senhor Bresson, fazer um escape movie em que já sabemos o seu feliz desenlace! Mas não: encostando o enredo a um canto, podemos concentrar-nos nessa “cronometria” de cada gesto. Com efeito, o cinema já nos deu alguns filmes de evasão brilhantes – lembro-me de Escape From Alcatraz (Os Fugitivos de Alcatraz, 1979), de Don Siegel, e de Le trou (O Buraco, 1960), de Jacques Becker, como estando entre aqueles que mais se aproximam da magistralidade deste filme que não se parece com um filme, mas com uma escultura, tal é a força da presença das mãos e da pedra que elas perfuram. Maior entre os maiores, Un condamné à mort s’est échappé… produz um tempo e um espaço ritualizados pelo gesto – é a transcendência de um estilo que se anuncia aqui, sem que este seja um filme frontalmente religioso como outra obra-prima de Bresson, Au hasard Balthazar (Peregrinação Exemplar, 1966). A salvação no fim é a salvação que se enuncia na matéria e na mão (olho para a imagem em cima e em vez de uma corda vejo uma coroa de espinhos, a de Jesus, sim, mas também… a de Falconetti no filme intemporal de Dreyer acima agraciado, com o qual, aliás, Bresson tinha uma relação turbulenta). Todo o Bresson cabe nesse “e” religioso, nesse espaço intermédio onde o mundo se faz presente, se dá ao toque, em toda a sua densidade e graciosidade. Graciosa densidade, a de Bresson.

    9.3 9.3