As Mil e Uma Noites - Vol. III - O Encantado

As Mil e Uma Noites - Vol. III - O Encantado

Áudio e legendas

Versão Portuguesa

realização

Miguel Gomes

Nacionalidade

Portugal

Ano de produção

2015

Estreia no cinema

08-10-2015

Espetadores

6.192

Sobre o filme

Num País Europeu em crise, Portugal, um realizador propõe-se a construir ficções a partir da miserável realidade onde esta inserido. Mas incapaz de descobrir um sentido para o seu trabalho, foge cobardemente, dando o seu lugar à bela Xerazade. Ela precisará de ânimo e coragem para não aborrecer o Rei com as tristes histórias desse país! Com o passar das noites, a inquietude dá lugar à desolação e a desolação ao encantamento. Por isso Xerazade organiza as histórias que conta ao Rei em três volumes. Começa assim: “Oh venturoso Rei, fui sabedora de que num triste país entre os países…”

Volume III - O Encantado
No qual Xerazade duvida que ainda consiga contar histórias que agradem ao Rei, dado que o que tem para contar pesa três mil toneladas. Por isso, foge do palácio e percorre o Reino em busca de prazer e encantamento. O seu pai, o Grão-Vizir marca encontro com ela na roda gigante e, Xerazade retoma a narração: “Oh venturoso Rei, fui sabedora que em antigos bairros de lata de Lisboa, existia uma comunidade de homens enfeitiçados que, com rigor e paixão, se dedicava a ensinar pássaros a cantar…”. E vendo despontar a manhã, Xerazade calou-se.

M14

Realização e elenco

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  • Ricardo Vieira Lisboa

    de À Pala de Walsh

    Mas como dizia, a puissance da palavra é uma presença singular no último capítulo por se sentir que já todas as costuras que antes haviam cerzido os eventos que ocorreram em Portugal no intervalo de 2013-2014, de forma mais ou menos dissimulada, se mostram orgulhosamente na sua manipulação, mais que isso, parecem ser as palavras que conduzem os homens da Musgueira, antecipando cada uma das suas acções, “as personagens de Nouvelle Vague são espectros vampirizados pelas palavras” e os passarinheiros e os seus tentilhões também o parecem ser – está por fazer o paralelo evidente entre a obra de Gomes e a de Godard; mas não é da mesma natureza a energia destrutiva, paródica e escabrosa que enche o episódio d’”Os Homens de Pau-feito” ou o d’”As Lágrimas da Juíza” e Vladimir et Rosa (1971)? “Não esconder a estrutura e atirá-la à cara do espectador” disse Miguel Gomes e de facto tudo em As Mil e uma Noites é estrutura, cada história tem histórias dentro de si, Xerezade vai contando, mas quem a faz contar é Gomes à beira da morte e quem o põe nessa situação é o Gomes realizador, e dentro de cada história que Xerezade conta há quem conte outras histórias e tudo se organiza, como o descreveu o João Lameira, qual boneca russa onde se pretende “enfiar as bonecas maiores dentro das mais pequenas e em acrescentar outras que não encaixam em lugar algum“. Esta figura cubista de formas estranhas que enverga com orgulho as suas deformidades é aquilo que faz de As Mil e uma Noites um exemplo da extraordinária ousadia do seu realizador que parece ter poucas barreiras entre a ideia e a sua execução (o que para muitos pode passar por auto-indulgência), quero posso e faço – e o que nos aparece é um objecto livre e surpreendente, mais ainda neste último volume que começa nem mais nem menos com um interlúdio musical de meia hora que é o elogio das formas puras [não será por acaso que dentro da obra de Gomes o filme que mais pontos partilha com esta trindade seja Cântico das Criaturas (2006) mais não fosse pelo recorrente lado franciscano, mas porque igualmente começa com um realizador à deriva, passa apara um momento de teatro puro – o galo, a juíza – e termina numa musical apropriação de imagens documentais construída exclusivamente pela montagem].

    8.5 8.5
  • Diego Batlle

    de La Nación

    Una acumulación de situaciones absurdas y testimonios reales que ratifican a Gomes como uno de los cineastas más creativos y audaces de la actualidad.

    8.5 8.5