As Mil e Uma Noites - Vol. II - O Desolado

As Mil e Uma Noites - Vol. II - O Desolado

Áudio e legendas

Versão Portuguesa

realização

Miguel Gomes

Nacionalidade

Portugal

Ano de produção

2015

Estreia no cinema

24-09-2015

Espetadores

8.928

Sobre o filme

Num País Europeu em crise, Portugal, um realizador propõe-se a construir ficções a partir da miserável realidade onde esta inserido. Mas incapaz de descobrir um sentido para o seu trabalho, foge cobardemente, dando o seu lugar à bela Xerazade. Ela precisará de ânimo e coragem para não aborrecer o Rei com as tristes histórias desse país! Com o passar das noites, a inquietude dá lugar à desolação e a desolação ao encantamento. Por isso Xerazade organiza as histórias que conta ao Rei em três volumes. Começa assim: “Oh venturoso Rei, fui sabedora de que num triste país entre os países…”

Volume 2 - O Desolado
No qual Xerazade narra como a desolação invadiu os homens: “Oh venturoso Rei, fui sabedora de que uma juíza aflita chorará em lugar de ditar a sua sentença, na noite de três luares. Um assassino em fuga vagueará pelas terras interiores durante mais de quarenta dias e teletransportar-se-à para fugir à Guarda, sonhando com putas e perdizes. Lembrando-se de uma oliveira milenar, uma vaca ferida dirá o que tiver a dizer e que é bem triste! Moradores de um prédio dos subúrbio salvarão papagaios e mijarão em elevadores, rodeados por mortos e fantasmas; mas também por um cão que…”. E vendo despontar a manhã, Xerazade calou-se.

M14

Realização e elenco

Títulos parecidos

Foto de perfil por defeito de um utilizador que não fez login
Os comentários depreciativos e os spoilers serão moderados. Se tens alguma queixa escreve-nos para ola@filmin.pt
  • Carlos Natálio

    de À Pala de Walsh

    Estaria meio mundo à espera que as histórias procurassem a adesão, que se multiplicassem as rimas forçadas, que o real fosse exacerbado para produzir um discurso altivo sobre o país. Nada mais errado: a costura está desde o primeiro momento à mostra (e para isto compreender é preciso largar o automatismo crítico que associa a costura de uma obra à inépcia do seu autor). Por exemplo, a face imaculada de Joana Verona é simultaneamente o corpo da virgem e da ex-drogada. Assumir o miscast para se dar a ver a costura, de não abdicar da imagem que se vai e da que vem (o efeito típico da sobreposição). É esse o passo genial da generosidade de todas estas 1001 noites, e de todas estas 1001 histórias, que precisavam também de outros tantos textos como este para vislumbrar os seus contornos. Miguel Gomes sabe que Joana de Verona não tem cara de drogada mas podia tê-la (ou vir a tê-la) noutras circunstâncias. Não há escolha entre o que é de facto e o que pode vir a ser (ou certamente o será). Não é apenas uma estratégia de narrar dar voz aos desempregados, aos caretos, às vacas, aos assassinos, pasteleiros, juízes, tarados sexuais, oliveiras, fumos de entrecosto ou rappers de armário. Na sobreposição tudo é o que é mas a caminho de deixar de o ser: é esse o belíssimo gesto de Gomes, gesto igualitário, sem hierarquias, reconhecendo que quando se parte para a arte nunca se sabe na puta vida bem o que se vai fazer e que é dessa honestidade de criar um método que nos faça sentido, a maior homenagem que se faz a todo o complexo caudal da realidade. Como acontecia com Tabu (2012) ou com Aquele Querido Mês de Agosto (2008) existe uma certa batalha entre o real e o imaginário, existe esta necessidade de não partir para um plano demasiado rigoroso que nos desminta a realidade. É esse jogo do encontro com as pessoas, uma espécie de cinema-colmeia o de As Mil e uma Noites (aqui, a comunidade da aldeia de Simão sem tripas, a trama de réus, os moradores do prédio; nos outros volumes, o grupo de passarinheiros, os sindicalistas, a troika…) em que a dispersão assusta, mas que é o único espaço passível da procura de momentos de comunhão entre as coisas, entre as histórias e séculos de crises e contos. É que realmente só temos a procura, a contemplação, o desabafo perante aquilo que é do filme e devia estar lá fora e o que está lá fora e só deveria caber na boca de reis e princesas.

    8.5 8.5
  • Diego Batlle

    de La Nación

    Una acumulación de situaciones absurdas y testimonios reales que ratifican a Gomes como uno de los cineastas más creativos y audaces de la actualidad.

    8.5 8.5