Ao Sol de Satanás
Ao Sol de Satanás

Ao Sol de Satanás

Sous le Soleil de Satan

Áudio e legendas

Versão original com legendas

  • Áudio Francês
  • Legendas Português
realização

Maurice Pialat

Nacionalidade

França

Ano de produção

1987

Género

Drama

Sobre o filme

Donissan é um padre medíocre, que vive assombrado pelo mal e pelo fracasso na sua missão divina. Um dia conhece a jovem Mouchette que assassinou a sua amante, a quem decide salvar a alma a todo o custo. Entre ambos vai desenvolver-se uma estranha relação.Filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Prémios
O meu estado de espírito...

Realização e elenco

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  • Carlos Natálio

    de À Pala de Walsh

    Oficialmente esta adaptação do romance homónimo de 1926 de Georges Bernanos corresponde ao início da fase final, e de consagração, da obra de Maurice Pialat. Segundo se conta o empreendimento foi levado a cabo com o intuito de vencer Cannes, entrando em terrenos mais clássicos. A coisa correu-lhe bem e todos os manuais de história do cinema contam aquilo que Pialat, apupado pela audiência ao subir ao palco para receber a Palma de Ouro, terá dito: “Vocês podem não gostar de mim, mas têm de ficar a saber que eu também não gosto de vocês”. Mais do que uma recusa de um cinema popular, esta anedota ilustra bem como o sucesso do realizador, que recusou todas as correntes (com a nouvelle vague à cabeça), se fazia no centro de uma tensão entre os elementos. Da tensão com os actores, da procura do momento de descarga tensional de cada cena, da oposição entre imobilidade e movimento. É disso que trata Sous le soleil de Satan, através da figura-espelho do seu cinema. Gérard Depardieu, que aqui incorpora o abade Donissan, luta entre o diabo e o senhor, entre o corpo e a alma, ante a tutelagem literal do seu mestre, o próprio Pialat no papel do veterano Menou-Segrais. Oposição também que é a luta do classicismo dos diálogos e do enredo de Bernanos – le soleil -, com a procura intensa da mise en scène de Pialat – le satan -, a fazer explodir os azuis na noite de todas as ameaças a Donissan, ou a câmara a fazer circular o sangue, a palidez da morte, nos rostos e nos espaços da santidade da igreja. Depois do corpo potente, desempregado e alcoolizado com que Depardieu surgiu, com Loulou (1980), ante a objectiva de Pialat, aqui assistimos à domesticação, auto-sevícia e sacralização desse mesmo corpo. Depois o actor ainda seria o escolhido para fazer de figura parental de Pialat na sua derradeira obra, Le garçu (O Miúdo, 1995). Desta passagem entre figuras, aparentemente coerentes na sua diversidade, talvez se possa concluir que Depardieu sempre foi o desafio supremo de Pialat, a carne incapaz de encenação que tanto o fascinou. Um espelho que lhe respondia de volta muito mais do que um reflexo, uma discussão acesa sobre a sua personalidade de cineasta, um cocktail ambulante de doçura e ira.

    8.5 8.5