A Paixão de Joana d'Arc
A Paixão de Joana d'Arc

A Paixão de Joana d'Arc

La Passion de Jeanne D'Arc

Áudio e legendas

Versão original com legendas em português

Nacionalidade

França

Ano de produção

1928

Sobre o filme

Um clássico do cinema mudo francês, o filme conta a história de Joana d'Arc, a guerreira e heroína do século XV. Julgada por afirmar que falou diretamente com Deus, Joana d'Arc é submetida a tratamentos desumanos nas mãos da igreja. A sentença à morte e a brutal execução elevou a heroína a estatuto de mártir. O filme de Carl Theodor Dreyer foi o primeiro produzido sobre Joana D'Arc, e foi baseado em documentos históricos do julgamentos, contanto com uma interpretação ímpar de Renée Jeanne Falconetti. 

Realização e elenco

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  • Luís Mendonça

    de À Pala de Walsh

    Eis um monumento ou, melhor dizendo, eis vários monumentos. Cada plano toca o sagrado como nenhuma outra obra na história do cinema. Começar por onde, portanto? Comece-se por uma ideia: a de que este é um filme-mártir. Foi realizado em França pelo realizador dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Sofreu várias vicissitudes de produção que redundaram na opção pela rodagem em mudo – quando já havia a possibilidade, ainda que algo aventureira, do som – e pela escolha de uma actriz desconhecida, Renée Maria Falconetti – isto quando estiveram em cima da mesa nomes como os das actrizes Marie Bell e Lilian Gish para interpretar a santa guerreira, mártir de uma nação. E como é que o martírio passou de assunto no filme para assunto do filme? La passion de Jeanne D’Arc foi censurado, mutilado, destruído (em incêndios que consumiram dois dos negativos do filme). A obra que conhecemos hoje parte de um restauro elaborado sobre um negativo encontrado num asilo psiquiátrico na Dinamarca em 1981. Ressurgido, o filme voltou a acender-se nos grandes ecrãs e a maravilhar-nos com o que nele tem lugar: nada mais nada menos que um verdadeiro milagre cinematográfico. Acrescente-se então à ideia de filme-mártir a ideia, que importa mais, de filme-mito. Filmado com um orçamento avultado, La passion de Jeanne D’Arc é, contudo, um filme de poucos elementos, exercício de despojamento caro à economia estilística de Dreyer. Um “documentário de rostos”, chamou-lhe André Bazin. Foi neles, nestas faces impossíveis (de Facolnetti, mas também de Antonin Artaud e Michel Simon, só para citar dois outros actores míticos que integram este elenco) que o cineasta dinamarquês, auxiliado nomeadamente por Rudolph Maté na fotografia e pelo trabalho cenográfico de Herman Warm [Das Cabinet des Dr. Caligari (O Gabinete do Dr. Caligari, 1920)], encontrou o espaço principal para o drama. Aqui tudo nasce nos olhos, na boca, nas lágrimas e nos gritos mudos de desespero desta actriz que, igualmente mítica, apareceu e desapareceu, como a sua personagem que, ardendo na fogueira, acedeu à vida eterna, à santidade. Este é um filme-mito também porque nunca mais se filmou assim – o mais próximo que temos hoje deste gesto de enquadrar o rosto e encontrar nele o lugar, a escala, do divino é Pedro Costa. Portanto, sim: esta é uma obra-prima insuperável. Daquelas para se ver e fazer ver em silêncio e em perfeito estado de estupefacção.

    9.5 9.5