"Um Homem Chamado Ove" – Um feel good movie de humor negro

Autor: Tiago Resende Fonte: Cinema 7ª Arte

"Um Homem Chamado Ove" – Um feel good movie de humor negro

Esta tragicomédia sueca que conquistou duas nomeações para os Óscares de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Caracterização, adapta ao cinema o best-seller homónimo escrito por Fredrik Backman. Hannes Holm realiza esta comédia negra sobre a morte como possibilidade de redenção, de forma bastante competente e simpática. O seu humor negro e seco é do melhor que este filme, de fortes emoções, tem. Assim como a interpretação de Rolf Lassgård, como Ove Lindahl, um velho picuinhas de mau feitio que faz as coisas certas mesmo que contrariado.
Reformado e viúvo não aceita nada bem a perda da sua mulher, tornando-se numa pessoa amarga e com mau feitio, atormentando a vida dos seus vizinhos. Afasta-se de todos os que o tentam ajudar. Tenta por fim à sua vida, primeiro com uma corda na sala, mas é constantemente interrompido pelos seus vizinhos. Ove insiste em colocar uma corda à volta do pescoço, mas não leva o ato ao fim. Depois tenta suicidar-se na garagem, dentro do carro e mais tarde tenta atirar-se para de baixo de um comboio e tenta ainda matar-se com uma espingarda, novamente na sala. Os seus planos não resultam. Ove tem um coração grande, mas está escondido. A sua nova vizinha, iraniana casada e com dois filhos, começa a ser uma presença que irrita Ove, mas acaba por ser uma amizade inesperada. Sempre com um sorriso ela tira-o da solidão e as atitudes de Ove perante a vida começam a melhorar.
“Um Homem Chamado Ove” tem uma narrativa inteligente e forte de emoções que se perde quando surgem os flashbacks do passado da vida de Ove. Estes tentam justificar as atitudes do presente, as suas mágoas e as tentativas de suicídio. Mas são de todo desnecessárias e tiram a seriedade e simplicidade das cenas do presente. O filme perde-se com esses saltos temporais, não acrescentando muito às personagens. Pelo contrário, levam o espectador a emocionar-se mais com todas estas banalidades do passado, levando por vezes a momentos lamechas. Os flashbacks são como um corte emocional numa linha pesada de sentimentos e de humor negro que se quebra em várias pequenas linhas.
Em consequência, sente-se falta de Ove no presente, para que a sua personagem fosse ainda mais aprofundada, para que a sua relação com a vida e os vizinhos fosse explorada. A carga emocional seria muito mais forte e faria mais sentido. Indesejável é o final, que tem uma reviravolta bastante previsível. Contudo, este feel good movie não deixa de ser um filme bem conseguido, mesmo que sem uma boa nota artística, que nos faz sorrir e até chorar.


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