"“Uma comédia para adultos”, diz os créditos iniciais, sobrepostos a um fotograma de uma caixinha de música. Um narrador off faz uma apresentação irônica que reproduzi como epígrafe deste texto. Através dela, podemos ver uma alusão à possibilidade de o filme ir em outra direção: “poderia ser uma tragédia. Mas acabou bem.”. Ironicamente, ao fim da narração, um relâmpago corta a tela e nos deparamos com o primeiro plano de um rosto feminino. O filme transcorre entre criativos flashbacks integrados ao momento corrente de uma forma tão sutil que chega a desnortear o espectador, tal é a leveza das transições que jamais quebram ou desaceleram o ritmo. A fotografia de Martin Bodin constrói com simplicidade mas com firme vigor o passado e o presente, bem situados também pela escrupulosa direção de Bergman e pela pontual e precisa montagem de Oscar Rosander, que imprime o tempo da maneira mais suave possível, cortando todo o espaço morto e deixando na tela apenas o necessário. O casal vivido pela ótima dupla Eva Dahlbeck e Gunnar Björnstrand aprende uma lição de amor que os faz superar o passado, apesar da memória incômoda que dele fica. O elenco ainda conta com Harriet Andersson e Ake Grönberg (juntos em Noites de Circo, 1953) e uma pequena aparição de Bergman como um homem lendo o jornal no trem. Uma Lição de Amor é um filme sobre relacionamentos, sentimentos e o amor e seus percalços. Decididamente, uma comédia para adultos."