A oitava longa-metragem do realizador chinês Zhangke Jia, “Se as Montanhas se Afastam” (título original: “Shan he gu ren”), constitui a sua primeira incursão no melodrama, numa história que, partindo de uma China em profunda mutação, é contada em três momentos/episódios – 1999, 2014 e 2025 – que são assinalados de modo subliminarmente sugestivo, pela original mudança do formato da imagem e pela notável combinação de exteriores-interiores, num processo que se revela criativo, quer, no contexto emocional em que o argumento se desenvolve, quer, na precisão de detalhe que as suas personagens transmitem.
Uma obra admirável que, meritóriamente, fez parte da Selecção Oficial do Festival de Cannes em 2015.