O País das Maravilhas

O País das Maravilhas

Le Meraviglie (The Wonders)

Áudio e legendas

Versão original com legendas em português

  • Áudio Original
  • Legendas Português
Nacionalidades

Itália, Suíça, Alemanha

Ano de produção

2014

Estreia no cinema

26-03-2015

Género

Drama

Sobre o filme

A família de Gelsomina vive segundo as suas próprias regras. Gelsomina, com apenas doze anos, é praticamente a chefe de família. As suas três irmãs mais novas obedecem-lhe e trabalham sob a sua vigilância. Mas o mundo exterior não pode saber nada sobre a forma de vida deles e a forma como se dedicam à produção de mel.
Enquanto o campo está a ser destruído pelos pesticidas e a vida rural a mudar, um programa de televisão chega e oferece um prémio para a família mais tradicional. Gelsomina quer participar no concurso, mas o pai nem pondera essa hipótese.
Nada ficará igual no fim do Verão. Um Verão extraordinário em que as regras que uniam a família começam a quebrar…

M12

Prémios
O meu estado de espírito...

Realização e elenco

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  • Robbie Collin

    de Daily Telegraph

    Alice Rohrwacher's bittersweet tale about the onset of adulthood and the fading of old ways is as powerful as it is enchanting

    9.0 9.0
  • Dave Calhoun

    de Time Out

    Here’s a lyrical and warm portrait of an unusual family living a scrappy, hand-to-mouth existence in the Italian countryside. It's the second film from Alice Rohrwacher (‘Corpo Celeste’), a personal, intimate riffing on her own childhood, celebrating the wonderful strangeness of families – equally capable of love and destructiveness, happiness and despair, often all at the same time.

    8.5 8.5
  • Carlos Marañón

    de Cinemanía

    Rohrwacher, dueña y señora de un estilo contundente y a la vez silvestre, tira sin disimulo de un neorrealismo de corte mágico, felliniano.

    8.5 8.5
  • Luis Martínez

    de El Mundo

    Alice Rohrwacher compone en 'El país de las maravillas' una delicada fábula en torno a una familia rural que se revela como un mágico ejercicio de la creación.

    8.5 8.5
  • Carlos Natálio

    de À Pala de Walsh

    Em 2013 chegou-nos às salas um fime italiano que abordava as consequências nefastas de “berlusconização” da sociedade italiana, sobretudo através da modelação do imaginário dos jovens transalpinos, entretanto povoada de reality shows como lustrosas promessas de futuro recheadas de oportunidade. O filme que venceu o Grande Prémio do Júri em Cannes de 2012, chamava-se Reality (2012) de Matteo Garrone e já jogava absolutamente com a ideia de confetti para as massas, ou glamour televisivo, como um prolongamento quase surreal para a realidade do peixeiro napolitano Luciano que nos conduzia por esses meandros. Dois anos depois, Le meraviglie (O País das Maravilhas, 2014) de Alice Rohrwacher, também italiano, também vencedor do mesmo exacto galardão, volta ao tema, complexificando-o. O tal imaginário desta vez começa a ser delineado mais atrás no tempo e pertence a Gelsomina, a irmã mais velha de quatro de uma família de apicultores que habita na zona da Úmbria. Tentando fugir ao sistema e com um pai exigente resistente à industralização, vivem o ritmo da ruralidade alheio ao bulício das grandes cidades. Um dia, após tomarem banho no mar, Gelsomina e as irmãs encontram uma figura “celestial”, a deusa etrusca-apresentadora de televisão Milly Catena (Monica Belluci), numa rodagem de exteriores de um célebre programa de televisão que promove os produtos rurais de cada região. No breve encontro, esta dá-lhe como prenda um alfinete de cabelo, e Gelsomina, que trabalha diriamente ao ritmo sazonal no campo com a família, logo sonha em inscrever os seus, mostrando o que têm de melhor, a produção de mel. O prémio, claro, significaria o desafogo económico e quiçá a modificação do estilo de vida daquela família. Como se expurgasse o genuíno delírio do circo felliniano da sua substância (a referência a Gelsomina está longe de ser inocente para uma personagem inocente), a representação das falsas maravilhas da máquina televisiva, com as suas pestanas postiças e cabelos de espuma, prolongam a ideia de “genocídio” cultural do filme de Garrone. Indo além, Alice Rohrwacher alarga a questão, construindo um outro “país das maravilhas”, o mundo puro e em vias de extinção da ruralidade, transformando quer essa forma de vida, quer, adivinha-se, essa forma de filmar, em objecto que, de futuro, será apenas de museu. Câmara à mão, planos longos, ritmo compassado, o filme acaba por fazer a transição suave do realismo campesino ao onirismo da infância. Neste, a desaparição da classe rural é motivada por uma certa doçura que já não tem lugar no enquadramento de talentos e agitação constante da grande audiência televisiva. Os prémios do concurso das maravilhas têm lugar numa ilha (Alice está a filmar uma espécie de “hunger games” proletário), dentro de uma caverna. Quando a família cai por essa “toca de coelho”, para saber se sairá vencedora, há aquele plano fantástico do pai de Gelsomina, enquadrado pela câmara de televisão, por sua vez enquadrado pelo olhar de Alice Rohrwacher, dizendo, entre o medo e a estupefacção, que o mundo está prestes a terminar. Circuito de olhares que começa com a curiosidade entomológica dos espectadores televisivos e se estende a nós, para mostrar o número de Gelsomina com as abelhas como uma performance triste pertence a um mundo de Portugal Tem Talento, Casa dos Segredos e Preços Certos. A nota menos positiva de Le meraviglie é que muitas das suas maravilhas provêm de uma revisitação do universo de La niña santa (A Rapariga Santa, 2004) de Lucretia Martel ou da abordagem suave de El espíritu de la colmena (O espírito da colmeia, 1973) de Víctor Erice, atenuando a sua originalidade. O que resta do seu mistério será perceber até que ponto se trata de uma obra premonitória de um futuro, até que ponto o momento mais comovente do filme – as lágrimas de Cocò, uma mulher que também vive com a família, quando Gelsomina se dá, na sua inocência – se justificará como uma espécie de lamento de redenção pela realidade física de uma certa ruralidade e, consequentemente, contra a extinção de uma certa inocência de viver.

    8.0 8.0