"Ninguém melhor do que Ozu poderia cercar as transformações que ocorriam no Japão na década seguinte ao desastre de Hiroshima e Nagasaki. O crescimento populacional e tecnológico do país, ao passo que incluía no mercado um grande número de pessoas, excluía muitas outras, gerando uma situação híbrida de desenvolvimento social. A população do país tornava-se mais fugidia, imersa na pequena tela de TV, motivo de alienação em massa. Na mesma década esse entretenimento-fuga estendeu-se também para os jogos, algo que Wim Wenders trabalhou em Tokyo GA, que aliás, é um documentário sobre “o Japão que Ozu previu”. A necessidade do diálogo é contraposta, em Bom Dia, à necessidade de uma máquina para que alguém seja feliz. Ozu nos expõe as relações humanas e familiares em pleno momento em que o mundo ao redor se transformava, o consumismo se tornava uma “necessidade comum” e a fuga através da nova tecnologia já era um afã nacional. Com a poesia que se faz presente em todas as coisas, o diretor nos pergunta se tudo aquilo a que damos valor é realmente essencial para a nossa vida ou apenas faz parte das falsas necessidades, geradas pelo pelo fetiche de milhões produtos. Bom Dia é, acima de tudo, um filme sobre o supérfluo e o essencial. "